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domingo, 20 de fevereiro de 2011

sábado, 15 de janeiro de 2011

Foto de arquivo ilustra mas não documenta


A proposta agora é fazer uma leitura crítica ou observação crítica da matéria de O Globo, intitulada Banda larga dá um salto de 71% no Brasil, assinada por Mônica Torres e publicada em 14 de janeiro de 2011, na página 24, seção Digital & Mídia, do caderno de Economia.  Com texto grandiloquente - como costuma acontecer com notícias sobre a internet - a reportagem menciona vários números e percentuais fabulosos. Tais como: salto de 71 %  - 14,2 milhões de novas conexões - aumento do 3G de 8,7 para 20,6 milhões - serviços de banda larga em 1.059 cidades ou 68% da população - proposta do Plano Nacional de Banda Larga, PNBL, é atender 88% da população até 2014. Os números impressionam, mesmo que não sejam comparados com nenhum outro país. Aliás, é aqui neste ponto que cabe a crítica. Embora a matéria seja estritamente sobre o que está acontecendo ou para acontecer no Brasil, a foto que a ilustra é da AFP, Agence France-Presse. É uma foto de arquivo e sem legenda indicadora de lugar. Claro que não seria impossível algum fotógrafo da AFP ter feito a foto no Brasil. Mas a impressão que passa é que a mulher sentada em frente ao notebook com uma xícara de café ao lado não está numa calçada brasileira.
Pode ter sido por praticidade, por conveniência, até mesmo pelo valor simbólico da imagem, isto é, talvez o editor entenda que no mundo sem fronteiras da internet, a imagem poderia vir de qualquer lugar. Além do mais, deve ser mais barato e mais rápido, capturar uma foto de agência na própria rede do que encomendá-la a um repórter fotográfico. O fato, ou a hipótese já que não há prova, confirma o que estudiosos de jornalismo já apontam há algum tempo: a hegemonia da redação sobre a reportagem. Em resumo, pode haver até justificativas, mas a foto deveria documentar o que diz o texto e, no caso, ela apenas ilustra.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Observatório da Imprensa em dúvida!

Que Alberto Dines é um mestre em jornalismo e que o seu programa Observatório da Imprensa é pioneiro no questionamento da mídia, ninguém duvida. Todavia, parece difícil entender por que o programa desta terça-feira, dia 30 de novembro, prometeu discutir o desempenho da mídia e apresentou uma conversa amigável sobre o "bairrismo" que contrapõe imprensa paulista X imprensa carioca. Muitos pontos de fuga, pouco foco.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Análise enriquece espetáculo factual

O antropólogo Luis Eduardo Soares, velho conhecido quando o assunto é segurança, foi o entrevistado desta segunda-feira no programa Roda Viva, da TV Cultura. De acordo com ele, há uma investigação sendo conduzida em segredo de justiça que ajudaria a explicar os últimos acontecimentos espetaculares do Rio de Janeiro na mídia televisiva. Boa pedida ver a reprise do programa (ou quem sabe a versão que deve ir para o Youtube) e melhor pedida - para quem quer entender mais do que apenas se emocionar - acompanhar o desfecho de tal investigação.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Prêmio para pesquisa sobre Jornalismo

Conforme publicado no caderno Ilustríssima, da Folha de São Paulo, de 31.10.2010, estão abertas as inscrições para projetos de pesquisa sobre história do jornalismo. A patrocinadora do projeto é a marca Pfizer. Serão oferecidas 3 bolsas de R$ 2400 mensais, por um semestre. O melhor trabalho será publicado e o autor receberá um laptop. As inscrições vão até o dia 17 de dezembro. Mais informações no site: folhamemoria.folha.com.br

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Estudos em Jornalismo

Reproduzo a seguir mensagem enviada para o FNPJ por Rogério Christofoletti
Acaba de ser lançado mais um número da Estudos em Jornalismo e Mídia, o periódico científico do Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da UFSC (PosJor). A edição Volume 7 Número 2, referente ao segundo semestre de 2010, reúne 19 artigos, sendo nove do Núcleo Temático sobre Políticas Públicas.
Estudos em Jornalismo e Mídia é uma publicação semestral, gratuita, totalmente aberta e eletrônica, e tem conceito B3 no Qualis/Capes.A EJM pode ser acessada em:
http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/jornalismo

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Entrevista com Zé Dirceu será reprisada nesta quinta

Nesta quinta-feira, dia 4 de novembro, à meia noite e meia, a TV Cultura - canal 114 - exibe novamente a entrevista de José Dirceu de Oliveira e Silva, o Zé Dirceu, no programa Roda Viva, exibido segunda-feira. Cassado em 2005 devido a acusações de envolvimento no episódio que ficou conhecido como "mensalão" - espécie de mesada paga a parlamentares em troca de apoio - José Dirceu antecedeu Dilma Roussef como ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República. Ele ocupou a Casa Civil de 1o. de janeiro de 2003 a 21 de junho de 2005. Atualmente, segundo ele próprio, José Dirceu ganha a vida como consultor.
Vale acrescentar, como me disse alguém, que a entrevista está no youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=LAuHQZL00LI
A impressão que dá é que o ex ministro estava bem melhor preparado para responder do que a bancada estava para perguntar.
Registre-se ainda que a entrevista no youtube teve pouco mais de 20 mil acessos até quinta feira.

sábado, 23 de outubro de 2010

Comunicação e Educação se aproximam

A Escola de Comunicações e Artes, a ECA da Universidade de São Paulo, dará início em fevereiro de 2011 à sua primeira turma de licenciatura em Educomunicação. A intenção é formar profissionais que atuarão na área de interseção entre educação, comunicação, artes e letras. O objetivo da Licenciatura em Educomunicação é preparar um profissional para atender às demandas dos setores da sociedade relacionados à interface comunicação/educação, podendo atuar em três âmbitos: no magistério, em consultoria e na pesquisa. Proposta semelhante está sendo gestada na Unisuam, aproximando o Curso de Comunicação do Curso de Letras. A propósito, o tema educomunicação foi objeto de pesquisa de monografia no Curso de Comunicação, no primeiro semestre deste ano. Outra novidade relacionada ao assunto é que estamos propondo um projeto de pesquisa que tem como foco a investigação sobre os benefícios trazidos pelas Novas Tecnologias da Informação e da Comunicação - as chamadas TICS - para o exercício da cidadania e para o aprimoramento da educação.
Para saber mais sobre o curso da USP, veja: http://www.cca.eca.usp.br/

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Obviedade esclarecedora

A participação do empresário bilionário Eike Bati$ta no programa Roda Viva, exibido pela TV Brasil nesta segunda-feira, foi interessante por mais de um motivo. Além de mostrar como a jornalista Marília Gabriela se comporta à frente de uma bancada de entrevistadores - em vez de cara a cara sozinha com o entrevistado - também permitiu saber o que pensa um dos homens mais ricos do mundo sobre o Brasil e seus governantes. Pouco depois de declarar que pagou mais de R$ 670 milhões só de imposto de renda este ano, o empresário que doou R$ 7 milhões para um projeto encabeçado por Madona - que visa incutir autoestima nas crianças - e que arrematou por R$ 500 mil um terno durante leilão e, pouco depois, segundo Marília Gabriela, obteve financiamento de mais de R$ 140 milhões do BNDES... afirmou que os últimos 16 anos de governos no Brasil foram só de acertos. Assim como não se mexe em time que está ganhando, para quem sabe ler, pingo e cifrão são letras.

sábado, 10 de julho de 2010

Eric Hobsbawn e o que mudou no mundo desde 91

Há 16 anos, o historiador inglês Eric Hobsbawn escreveu Era dos Extremos, o breve século XX (1914-1991), publicado no Brasil pela Companhia das Letras, com tradução de Marcos Santarrita. Para o autor, o século passado fora mais breve que outros porque havia começado de fato com a Primeira Guerra Mundial, em 1914 (com o assassinato em 28 de junho do arquiduque da Áustria-Hungria, Francisco Ferdinando, em Sarajevo) e terminado em 1991, com a dissolução da União Soviética. Um século de 77 anos relevantes, portanto. Logo no início do livro, Hobsbawn adverte para o fato de que "a destruição do passado... é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX" já que "os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem". Os historiadores são tão importantes, conclui ele, porque seu ofício é lembrar o que outros esquecem.
Em abril deste ano, o Caderno Mais, da Folha de São Paulo, publicou uma tradução - de Clara Allain- da entrevista de Hobsbawn à edição de janeiro/fevereiro da revista britância New Left Review.  Perguntado sobre quais as mudanças importantes no mundo desde 1991, ele lista quatro mudanças principais:
1- O deslocamento do centro econômico do mundo do Atlântico Norte para o sul e o leste da Ásia;
2- A crise mundial do capitalismo;
3- A derrota retumbante da tentativa dos Estados Unidos de exercer a hegemonia global sozinho a partir de 2001;
4- A emergência de um novo bloco de países em desenvolvimento, como entidade política: os Brics - Brasil, Rússia, Índia e China.
Ele acrescenta ainda um quinto elemento: a erosão e o enfraquecimento sistemático da autoridade dos Estados.
Ao analisar o que a New Left Review chama de "recomposição política daquilo que foi no passado a classe trabalhadora", Hobsbawn novamente faz uma didática lista de três mudanças negativas importantes:
- A xenofobia, que para August Bebel seria "o socialismo dos tolos";
- Boa parte da mão de obra e do trabalho nos setores qualificados no passado como "graus menores e manipulativos" não é mais permanente, mas temporária. Segundo o historiador, não é fácil enxergar tal mão de obra com potencial para ser organizada.
Mas o que nos parece especialmente interessante nas observações de Hobsbawn está no que ele diz a seguir.
-A terceira e mais importante mudança seria a divisão crescente gerada por um novo critério de classe: a aprovação em exames de escolas e universidades como critério de acesso a empregos. Para Hobsbawn esta suposta meritocracia, medida, institucionalizada e mediada por sistemas de ensino fez desviar a consciência de classe da oposição aos patrões para a oposição a representantes de alguma elite: intelectuais, elites liberais, pessoas que "se erguem como superiores a nós".
Segundo a revista Mais (que deixou de circular este ano) a íntegra da entrevista de Eric Hobsbawn pode ser lida em: www.folha.com.br/101031.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Internet: nova polêmica à vista

Conforme noticiado por O Globo, neste domingo, dia 9 de maio, vem aí novo debate sobre conteúdos veiculados pela ou na internet. O Senado promove amanhã, dia 11, o seminário: "Cultura sustentável. Brasil - um imenso caleidoscópio cultural". De acordo com matéria de Jailton de Carvalho, duas perguntas centrais deverão orientar o evento:
Estrangeiros podem controlar empresas de jornalismo no Brasil? e É possível garantir direitos autorais em imagens e textos distribuídos pela internet?
Citado na reportagem, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), diz que um dos objetivos é definir se cabem ou não mudanças na legislação brasileira sobre direitos autorais e conteúdo nacional na web. Ao que parece, a proposta do seminário ecoa reclamações e protestos surgidos nos Estados Unidos, onde empresas de jornalismo querem cobrar pela utilização de conteúdos produzidos por elas e veiculados em portais de jornalismo e entretenimento sem pagamento de direitos autorais.
Tais portais obtêm lucros com reprodução de músicas, capítulos de novelas ou reportagens de outros veículos sem pagamentos aos autores e sem referência à origem do material copiado.
As duas novidades são o envolvimento do Senado e a aliança entre empresas de jornalismo que produzem informação e a classe artística. Um dos argumentos antecipados pelo jornal O Globo é o dispositivo constitucional que estabelece que empresas de comunicação devem ser controladas e administradas por brasileiros natos. Pela Constituição, o capital estrangeiro só pode controlar 30% das ações de empresas jornalísticas.